Quarenta e quatro primaveras...


Sim, “estou” uma jovem senhora. Sempre fico muito introspectiva nesse dia, não me lembro de quando foi que me reconheci nesse turbilhão de sentimentos, tenho um breve ensejo do inicio dessa fase, mas a memória às vezes se torna uma raridade nessa confusão e aventura de ser eu. Mas eu não sou só isso. Eu sou uma porção de outras coisas. Eu quero me dar os parabéns. Uma mulher de 44 anos não é só uma mulher de 44 anos.
Sinto dentro de mim todas as idades que já tive. Aquela menininha de 7 anos que se decepcionou porque Papai Noel não existe está igualzinha aqui dentro se decepcionando com pessoas que não são o que pareciam. Aquela garota aventureira de 12 anos encantada pelo circo vive aparecendo. Por diversas vezes sinto-me com 15 anos toda feliz com algo de bom que me aconteceu. A jovem mãe de 17 anos tão responsável, zelosa e apaixonada por um serzinho tão pequeno e especialA de 25 toda orgulhosa em ter uma família digna de comercial de margarina, a resiliente de 30 reagindo aos conflitos, a confusa de 35 procurando a autoestima, a de 40 se descobrindo em sua totalidade, todas elas ainda pulsadentro de mim.
Mereço ou não mereço muito os meus parabéns? EUZINHA! Eu que permiti todas as adoráveis meninas que me habitam abrissem espaço para que a mulher de 44 primaveras tivesse força e coragem para aceitar os desafios que a vida propõe a cada dia, entender e respeitar quem e como vou me tornando conforme a cor da vida no papel. Embora tenham muitas procrastinações e inquietações ainda vivas guardadas naquele armário, sigo no exercício diário de manter a Calma, respeitando meu tempo e sendo fiel aos meus sentimentos.
OK, tudo bem, os óculos novos devem fazer parte da rotina porque as letrinhas miúdas se embaralham a olho nu devido ao desgaste “natural” da idade. Brigar com cada fiozinho de cabelo branco que teima aparecerEsquecer o nome das pessoas e morrer de vergonha por isso, mas quem nunca? Sentir os calores e os efeitos hormonais de uma pré-menopausa, me boicotar, desanimar e travar diante de uma monografia...mas mesmo assustando, brigando, esquecendo, desanimandosurtando, perdendo o foco eu reconheço os meus méritos.
Lilian, parabéns pra você, muitos ciclos de vida!
Um salve para esse turbilhão. Eu mereço, aceito e agradeço.

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