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Mostrando postagens de Maio, 2014

Um dia de simples talvez...

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Me identifico assim: em papéis. De carta, talvez. Preste atenção, eu convido, mas cuidado: não vai me entender mesmo assim. Fixar o olhar ajuda. Sou um quebra-cabeças incompleto, sem as peças do meio. Nem das pontas. Sou clichê. Sou sem freio, sem porteira, sem limite. Sou feita de urgências. Tenho pressa. E fico parada, na varanda, contemplando o mar em imagens do que não há. Não sei escapar de mim, nem quero. Sou fácil se você me alcançar. Será que você consegue? Sim, agora é com você. Você me lê? Me sabe? Você existe de corpo de pegar e boca de beijar? Está aí, trabalhando, dormindo, sonhando? Está aí, fazendo uma lista de música que vai batizar com meu nome? Está lendo? Beijando outra boca? Viajando? Inventando sabores e dizeres? Não deve haver erro no que agora digo: me saiba. Me desvende. Me desvele (e ignore as próclises equivocadas). Adiante-se ao destino. Chegue antes. Roube um pouquinho e ajeite o seu caminho pra encostar no meu. Eu sei o bom da espera e gosto dos percursos…
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Os meus olhos ardem. As minhas mãos tremem. Os meus pensamentos voam. E eu sobrevivo. Respiro novamente o ar da manhã tentando me lembrar em que dia estamos, ou mês, ou ano. Quais são os meus planos? Já não sei mais nadar nessa lama, e a cada passo que dou, mais me afundo. Criamos mundos sem portas ou janelas para nos protegermos e ficamos presos em nós mesmos. É o mal do século. Presos e submersos no medo. E o mundo ficará assim, completo de seres incompletos, procurando no outro o seu pedaço irrecuperável. Vivendo na beira do abismo, esperando do outro o empurrão fatal...