quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Carnaval



            As festas do ano são um acontecimento importante na vida e no ritmo da criança e mesmo do adulto. Se tentarmos nos lembrar de nossa infância, as festas do ano parecem pequenas pedras preciosas. A civilização moderna, tão consumista, incentiva apenas o lado comercial destas festas. Mas elas têm um profundo sentido espiritual, e são marcos importantes no ritmo do ano com suas quatro estações e desempenham um importante papel na biografia e na saúde do ser humano.

 

             Faz-se muito importante resgatar o sentido das imagens que acompanham estas festas anuais, pois assim poderemos usá-las novamente de modo consciente e não simplesmente como uma simbologia que nada mais significa. Usando-as conscientemente, podemos dar novamente um verdadeiro sentido espiritual às nossas festas, e nos beneficiar com o resgate do ritmo anual trazido por elas.

 

             No decorrer do ano, depois do Natal comemorado no final do ano anterior, temos a passagem do Ano Novo e a Festa de Reis fechando as celebrações do nascimento do menino Jesus até seu batismo no rio Jordão. A próxima celebração é a do Carnaval – uma época festiva de expansão e brincadeiras que culmina com a quarta-feira de cinzas, numa metáfora de que se inicia uma fase de interiorização, da preparação para o momento inevitável de se confrontar com a própria morte.

 

           Ainda é muito calor, mesmo terminado o “horário de verão” e retomada as atividades laborais, após o período usual das férias, é lentamente que o ano começa a girar as engrenagens do tempo para o ritmo mais acelerado de nossas vidas. É o período da Quaresma – período de40 dias que se inicia na quarta-feira de cinzas do Carnaval e vai até o domingo da Páscoa.  . Devagar a temperatura começa a cair, assim como as folhas das árvores, os dias ficam mais azuis, o clima mais seco. O outono inicia trazendo com ele uma nova Época.

        O carnaval é o período festivo entre a Epifania (dia de Reis/batismo no Jordão) e a Paixão de Cristo. Como outras festas cristãs, são continuações de antigos hábitos pagãos. Esta festa nasceu na antiga Roma  –  a confraternização dos soberbos ou feudais com seus escravos, empregados etc. Com “as máscaras” os papéis podiam ser trocados, por exemplo, a rainha podia se divertir com o caçador sem que este a reconhecesse.

 

          Nesses dias de carnaval, qualquer um pode representar ser o que quiser. Pode-se experimentar uma nova máscara sem grandes conseqüências, bastando estar atento para que a brincadeira não exceda limites.

 

          As brincadeiras, o dançar e o fantasiar-se, trazem uma leveza nesses dias, de breves momentos de respiração anímica, o que nos ajuda a penetrarmos como que rejuvenescidos, na séria época da Paixão e da morte.

 

          Antigamente esta festa, com suas máscaras e barulhos, servia também para expulsar ou atrair seres elementares da natureza. Era a época, no hemisfério norte, de mandar o ser do inverno embora e chamar o espírito da primavera.

 

          É verão no Brasil, e nesta época, a seriedade da vida só começa depois do Carnaval, não só por se tratar de um povo brincalhão, mas por isto ser o fluxo natural do tempo. Por se tratar na verdade, de uma grande respiração, entre expansão e contração, natural no ritmo do ano. Tal como em tudo que é vivo.




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